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Hillary e McCain: "The Comeback Kids"

Hillary e McCain ganharam as primárias de New Hampshire (NH). A vitória do Senador do Arizona era esperada, já aqui tinha ganho em 2000, contra Bush e "apenas" tinha um adversário – Mitt Romney.
O Senador pode agora, pensar seriamente na nomeação como candidato oficial do Partido, depois de muitos terem dado a sua candidatura como moribunda, McCain precisava de vencer em NH e de vencer Romney. A eleição do lado republicano, será certamente uma luta a três, Romney, McCain, Giuliani, no entanto, ainda tudo pode passar do lado do “elefante”.
Quanto à vitória de Hillary Clinton, poucos a esperariam, depois da ascensão estrondosa que Barack Obama teve na última semana.
Mas o primeiro que se deve salientar, destas primárias no estado do granito, é a falha total, de praticamente todos os estudos de opinião, realizados nos dias precedentes ao Caucus do Iowa. Estas sondagens, que começaram a surgir no fim-de-semana, indicavam uma clara mudança de intenção de voto. Hillary, em todas as sondagens perdeu a vantagem que tinha, de 6-8 pontos, passando, como que por acto de magia esta vantagem de imediato para Obama, que nas sondagens de segunda-feira, chegou a ter mais de 10 pontos de margem para a Senadora. Estamos perante um fenómeno conhecido dos americanos, a força mediática de Obama, foi tal que os eleitores democratas, passaram a ter receio, em demonstrar que não iriam votar num candidato de cor, Bradley/Wilder effect - apoiaram Obama nas sondagens, no entanto na eleição votaram Hillary. Para o Prof. Jon A. Krosnick, Hillary beneficiou ainda da sua posição nos boletins de voto. Para o Professor de Stanford, a posição de Hillary pode lhe ter “dado” mesmo, 3% do total de votos. Caso não houvesse tal distância nos lugares em que aparecem nos boletins de voto, esta eleição ficaria empatada, ou desiquilibrar-se-ia para o lado do Senador de Illinois, segundo Krosnick.
É com este cenário, que a vitória de Hillary Clinton em NH, assume ainda um conotação mais emblemática, agora sim pode utilizar o epíteto (que tanto ajudou Bill) de “comeback kid”, com que várias vezes se nomeou depois do desaire de Iowa, para se manter na corrida e apelar à mobilização dos seus apoiantes, mais jovens.
Esta vitória, faz acalmar a euforia dos apoiantes de Obama, que ontem depois de ouvirem o seu candidato, estavam bastante resignados à força da “máquina” partidária de Hillary Clinton, muito subestimada depois da pesada derrota no Iowa.
Apesar de todo este clima de derrota, Obama conseguiu algo notável, face às sondagens do último mês, no mínimo equilibrou esta luta, que Hillary pensava haver já vencido. Falta saber, quando é que (se o fizer) John Edwards abdicará da corrida, e a qual dos candidatos dará o seu apoio (se o fizer).
No entanto, e depois de tudo o que vi até agora, esta parece que será uma luta até ao fim entre Hillary e Obama. Será uma luta entre o grande aparelho partidário de Clinton e o brilhantismo de Obama.
Foto: Vencedores New Hampshire (Washington Post)

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Iowa: Os Vencedores

Como era previsível Barack Obama, pelos democratas e Mike Huckabee pelos republicanos ganharam a primeira batalha do longo caminho que dista até à almejada Casa Branca.
Do lado republicano Huckabee, consiguiu impôr a sua lei, e obteve uma vantagem considerável sobre Mitt Romney, que a tudo recorreu nos últimos dias para poder alcançar Huckabee. No entanto, e apesar do que algumas sondagens vaticinavam, Mike Huckabee, conseguiu no Iowa uma vitória clara e expressiva com cerca de 34% dos votos contra os 25% de Romney. Foi certamente, este o início sonhado pelo ex- Governador do Arkansas, marcar diferença sobre os seus mais directos rivais de forma a conseguir entusiasmar os seus apoiantes à mobilização, essencial, nesta luta que se prevê longa.
Convêm ainda salientar que o actor Fred Thompson conseguiu suplantar John McCain por apenas umas centenas de votos, ficando assim em terceiro lugar, apesar de ter eleito apenas 3 delegados como o Senador. E para a história fica também a prestação a limiar o ridículo de Rudy Giuliani que apenas conseguiu 4% das intenções de voto, ficando mesmo atrás de Ron Paul, o candidato que tem batido todos os recordes de popularidade (e recolha de fundos) na Internet.
Nos democratas, a felicidade de Barack Obama, era imensa, não só venceu a sua principal rival, por uma margem significativa, (38%, contra 29%, da Senadora de NY) como viu ainda Hillary Clinton ficar atrás de John Edwards. Edwards, conseguiu superar Hillary, como vaticinavam alguns analistas, o que pode vir a baralhar significativamente as contas de Clinton na eleição. Foi a grande derrotada da noite.
Este impulso que tanto Obama, como Edwards necessitavam, para poderem sonhar em destronar Hillary na corrida a Washington, pode começar por alterar as sondagens dos estados que se seguem.
Para Barack Obama, este pode bem ter sido o início de uma longa história. Com esta vitória o Senador do Illinois, contagiou de euforia os seus apoiantes que já falam agora de uma nova vitória em New Hampshire (na próxima terça-feira), onde Clinton tem aparecido sempre à frente nas sondagens. Este mês será sem qualquer dúvida decisivo para o Senador Obama reverter a opinião dos democratas, ainda algo renitentes quanto à sua fraca experiência política, mas ao mesmo tempo apaixonados pela sua audácia e esperança.


Fotos: Vencedores em Des Moines (Iowa) - New York Times; Contagem votos - Jenon Katt i-report CNN

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Iowa: A Primeira Batalha

Chegou o grande dia para os candidatos à Presidência do mais poderoso país do planeta. Começa hoje a verdadeira corrida à Casa Branca. Houve muito tempo para se discutir ideias, recolher fundos, recolher apoios de peso, definir modelos de gestão, para reformular opiniões, redefinir estratégias. E no entanto, para aqueles que verdadeiramente ambicionam chegar à nomeação oficial dos seus partidos, ainda parece que tudo falta fazer, tal é a euforia (por certo habitual quando de primárias "reais" se trata) com que os candidatos abordaram esta última semana de campanha para o Caucus do Iowa.
Do lado republicano, Mitt Romney, o milionário, antigo CEO da consultora Bain & Company e até à muito pouco Governador do Estado do Massachusetts, investiu milhões em anúncios de lastminute nas televisões e rádios locais, não para defender as suas políticas, mas sim para principalmente, criticar o historial político do seu principal rival, Mike Huckabee, antigo Governador do Arkansas. Chegando ao ponto de o acusar de incompetência total no que a segurança nacional (ponto chave da política americana) se refere, utilizando a sua política de clemências, de amnistias e perdão de penas, como factor de troça constante nos seus anúncios de última hora.
A euforia de Romney, prova bem o que representa esta primeira eleição, das primárias americanas.
O Iowa, não é um estado grande, não é um estado rico, é mesmo um dos mais esquecidos pela esfera politica de Washington (sendo dos que menos visitas Presidenciais teve ao longo da história americana). É um estado que elege poucos eleitores às Conferências Nacionais dos dois grande partidos, no entanto é essencial se não mesmo o decisivo, na corrida à eleição. Que o diga o último grande favorito Democrata à eleição, Howard Dean que, à quatro anos atrás, viu esfumar-se, aqui, o sonho de uma vida.
Quatro anos passados, e do lado Democrata vivemos uma situação de certo modo similar, sendo que desta vez quem tem muito a perder não é o favorito mas o principal opositor. O Senador do Illinois, Barack Obama necessita de uma vitória clara que lhe permita dar ainda mais força à sua candidatura, que caso consiga ditar diferença nos estados que vão a votos em Janeiro pode destronar, a até há poucos meses atrás, incontestável Hillary Clinton. Numa situação similar à de Obama, está o já “eterno” candidato democrata John Edwards, a par de Obama precisa de um impulso, para ver até onde pode realmente chegar a sua candidatura. E apesar das últimas sondagens darem Barack Obama em vantagem sobre Clinton, com Edwards em terceiro lugar, a diferença entre os três é mínima e amanhã os americanos, quando acordarem, podem mesmo ver Clinton em terceiro lugar no Iowa, o que seria uma séria derrota para a Hillary, que tudo tem feito para cativar o eleitorado do pequeno estado, convocando mesmo, toda a família para a batalha, marido, filha e a própria mãe apoiam a Senadora como se de mais um voluntário se tratassem.
Quem, não se deixou impressionar por esta euforia inicial, foi o favorito à eleição pelos republicanos o antigo Mayor de Nova Iorque, Rudy Giuliani, que nem sequer aqui fez campanha, confiando marcar a diferença nos grandes estados, como Nova Iorque, onde por agora permanece com confortável vantagem. No entanto, ou Romney, que nas últimas sondagens aparece com ligeira vantagem, ou Huckabee ao vencerem aqui, irão subir muitos pontos nas sondagens futuras nos estados que se seguem podendo ser uma ameaça séria ao itálo-descendente. Quanto ao Senador John McCain pouco terá a perder, e a ganhar, no Iowa, sendo que a sua candidatura dependerá muito do comportamento que tiver nas eleições a realizar durante o mês de Janeiro.
Veremos! Sendo que eu sou daqueles que acha que nem Hillary, tem a vitória nas primárias tão fácil como pensava à poucos meses, nem muito menos Giuliani, visto pelos sectores mais conservadores do partido - e são eles que irão decidir esta eleição - como demasiado liberal, tem o caminho fácil, que tantos analistas predestinaram.

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