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Imcompetência no Ministério da Cultura

José Saramago “inaugurou” na passada sexta-feira a exposição José Saramago: la consistencia de los sueños, “sozinho”. Saramago baluarte maior da nossa cultura, apenas contou com a presença do Embaixador português em Madrid na inauguração da maior retrospectiva alguma vez feita sobre a vida e obra do escritor ribatejano. É claro que Saramago não esteve sozinho neste dia importante. Contou com o apoio das mais altas autoridades da Região Autónoma das Canárias, com o apoio do Ministro da Cultura Espanhol (amigo e admirador incondicional da sua obra), bem como com a presença de alguns ex. Ministros e outras individualidades do mundo político espanhol. Agora de Portugal ninguém se fez representar, nem sinal da Senhora Ministra, nem de qualquer outro representante do Governo português. Será apenas e só incompetência? Se é apenas incompetência é muito grave que o órgão máximo da cultura portuguesa, não tenha dado conta da relevância deste acontecimento. Como é gravíssimo, que ainda não tenha feito as diligências necessárias para garantir a presença desta retrospectiva única daquele que é hoje o escritor português mais conceituado em todo o mundo, havendo mesmo um risco considerável da exposição não passar por Portugal, devido ao grande interesse que esta despertou em todo o mundo.
Será assim que o Ministério da Cultura pretende afirmar Portugal no Mundo como defende no seu programa de governação?

“(…) 5. Afirmar Portugal no Mundo
A cultura constitui um dos vectores principais, se não o principal, para a afirmação de Portugal no mundo. Em vários círculos e de várias formas: no espaço europeu, no espaço lusófono, na comunidade de todos os povos e nações. A presença regular de criadores e obras nos circuitos internacionais (feiras do livro, mostras de arquitectura e artes plásticas, festivais de cinema e de artes performativas), a edição dos autores portugueses nos países lusófonos e em línguas estrangeiras, a promoção de co-produções, designadamente no âmbito da CPLP, de obras cinematográficas e audiovisuais, todas constituem esferas de actuação dos respectivos institutos do Ministério da Cultura. Mas devemos ir mais longe e propomos, por isso, uma articulação mais efectiva entre estes institutos e o Instituto Camões, assim como parcerias regulares entre os organismos de promoção externa da cultura e da economia portuguesas.(…)” in Programa do XVII Governo Constitucional


José Saramago: la consistencia de los sueños
Fundación César Manrique
Teguise, Lanzarote
Até 16/01/2008
http://www.fcmanrique.org/

Fotos: Cartão Aluno Escola Industrial, Na Praça da Constituição "el Zócalo" Cidade do México Marcha Zapatista Março 2001, Com o Sub-Comandante Marcos

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Parabéns a José Saramago

Saramago o mais internacional dos nossos escritores contemporâneos celebra hoje o seu 85º aniversário, sem que esteja previsto qualquer acto de homenagem condizente com a data e a pessoa, por parte das autoridades portugueses, tão predispostas a homenagear indivíduos ou entidades que pouco ou nada fazem pelo nome de Portugal. E se há alguém que como poucos tem dignificado o nome de Portugal nos quatro cantos do mundo, esse alguém é Saramago. Os seus livros estão hoje traduzidos em mais de 40 línguas, são lidos nos sítios mais remotos do nosso planeta, e para além de tudo isso é o nosso único Nobel (contemporâneo) e um dos maiores pensadores dos nossos tempos. Um defensor acérrimo da paz, que não olha à etiqueta política na defesa desta. Talvez seja este o maior defeito do Saramago político, este e a ideologia política que segue, nem sempre coerente; não se pode criticar a política belicista americana ou a política de instrumentalização da informação de Aznar ou mesmo o ideal de cultura de Santana e companhia, e no momento seguinte defender e apoiar as politicas repressores de Fidel.
Mas estes episódios menos dignos não devem manchar a imagem de homem pacifista e tolerante que Saramago tem. E se Portugal pode agradecer a Saramago pelo escritor brilhante que é devia também agradecer e aproveitar as suas qualidades enquanto homem de Paz, (algo que o nosso país vizinho tem sabido fazer).

* Está previsto para amanhã, Sábado, um colóquio organizado pelo Palácio Nacional de Mafra em comemoração dos 25 anos do Memorial do Convento com a presença de José Saramago. As comemorações continuam
no Domingo à noite no Cinema São Jorge com leituras do Memorial do Convento.

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